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*Os desafios da educação na era do conhecimento e da inteligência artificial Assim como acontece em outras áreas, a educação vem sentindo profundamente os impactos do avanço tecnológico e da popularização dos aplicativos baseados em inteligência artificial. Trata-se de um processo irreversível. Há tempos, a escola deixou de ser o espaço exclusivo de aprendizagem. Essa mudança representa, sem dúvida, um grande desafio para educadores acostumados à lógica da transmissão do saber a um grupo de alunos ávidos por aprender. Hoje, a realidade é outra. Os estudantes chegam à escola com repertórios próprios – nem sempre os melhores, é verdade -, mas suficientemente amplos para que poucas informações consigam realmente surpreendê-los. O cotidiano e as redes sociais, muitas vezes, se mostram mais interessantes e estimulantes do que a própria sala de aula. Nesse contexto, é natural que os educadores se sintam desorientados e passem a questionar seus métodos, o sistema educacional – com razão -, e ...

Desafios mundiais exigem ação coletiva, organizada e solidária

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ANÁLISE CRÍTICA - Escrevo este texto inspirada por uma aula ministrada pelo professor Dr. Landislau Dowbor na disciplina Fundamentos da Economia Brasileira do curso de pós-graduação ICL/FESPSP.  Nela, o mestre afirma que na atualidade enfrentamos dois desafios globais: as mudanças climáticas e a desigualdade social. E que a solução para ambos os problemas depende de decisão política e ação coletiva. Tendo a concordar com ele. A exploração predatória dos recursos naturais tem penalizado a humanidade, principalmente as populações mais pobres e ameaçado a vida de todos no planeta. No Brasil, o caso mais emblemático talvez foi o das as enchentes no Rio Grande do Sul em 2024. As ondas de frio e calor extremos, aqui e na Europa, são outros sinais de que o planeta não suporta mais tanto descaso. O Brasil está no centro desse debate. Seja porque abriga a maior floresta tropical do mundo ou porque o Congresso Nacional aprovou em uma recente sessão um Projeto de Lei que flexibiliza o licenc...
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ANÁLISE CRÍTICA Quem tem medo da inteligência artificial? *Por Silmara Helena  Uma propaganda da Volkswagen causou polêmica e debate nas redes sociais há alguns dias. Para anunciar a versão atualizada da Kombi, um dos clássicos da marca, a montadora contratou a cantora Maria Rita para fazer um dueto com sua mãe, Elis Regina, “ressuscitada” por meio do uso de tecnologias de inteligência artificial. Elis aparece dirigindo o modelo antigo da Kombi ao som de “Como nossos pais”, canção composta por Belchior em 1976, e interpretada por ela mesma ao final da mesma década. O comercial provocou emoções na audiência e reações de diversos setores – profissionais e acadêmicos – sobre as implicações éticas do uso da IA para reviver pessoas em situações do presente. Situações essas que, não se sabe, se eles (os mortos) concordariam em participar. Houve quem ponderasse se Elis faria publicidade para Volkswagem, empresa de origem alemã que colaborou com Hitler, como indicam historiadores; ou se a ...

Todo cuidado é pouco

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O dia 8 de janeiro de 2023 ficará registrado como um dos mais tristes da história do Brasil. A destruição das sedes dos Três Poderes da República em Brasília por um grupo de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) causou repulsa no mundo e obrigou autoridades a se mobilizarem em defesa dos valores democráticos. Os atos de vandalismo seguidos de declarações de ódio e de pedidos de intervenção militar estão sendo tratados como terroristas e ameaças ao Estado Democrático de Direito. No entanto, um olhar mais atento sobre a situação política mundial já demonstrava que há uma variação considerável sobre o que realmente pode ser considerado como regime democrático.  De acordo com os critérios do Instituto V-Dem (Varieties of Democracy) apenas 13% da população mundial vive sob democracias liberais, em apenas 34 países. O regime mais comum no mundo, segundo a organização, é o das autocracias eleitorais, onde vivem 44% da população. Os dados constam da reportagem “Democracia: um re...

A política da fome no Brasil

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“No Frigorífico, eles não põem mais lixo na rua por causa das mulheres que catavam carne podre para comer”. Essa frase está no livro Quarto de Despejo um compilado dos diários escritos por Carolina Maria de Jesus – mulher, negra, favelada e mãe solteira – que migrou de Minas Gerais para a capital paulista. Ela morava na antiga favela do Canindé. Dali, com simplicidade, mas profundidade e dureza, relatou para o mundo o drama da fome. Seu livro foi traduzido para mais de 13 idiomas e publicado pela primeira vez em 1960. Mais de 60 anos depois, a fome volta com força a assombrar o cotidiano de milhares de brasileiros que, como Carolina, levantam sem saber se irão comer. O frigorífico volta a ser notícia, agora, por meio da imprensa, que mostra a fila de brasileiros esperando pela distribuição gratuita de ossos .  O País voltou ao Mapa da Fome em 2018. Pesquisa feita Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede Penssan ) e amplamente divulgada mos...

Comunicação Governamental, Relações de Poder e Cidadania

*COMUNICAÇÃO GOVERNAMENTAL, RELAÇÕES DE PODER E CIDADANIA Silmara Helena Pereira de Paula   Resumo O objetivo deste artigo é analisar a comunicação de Estado sob a perspectiva da comunicação pública e explicitar alguns dos desafios impostos às instituições governamentais para a construção de uma relação mais dialógica e democrática com a sociedade. Considerando os estudos de pesquisadores brasileiros e estrangeiros, o texto retoma o debate em torno dos conceitos de comunicação governamental, pública e política e suas interfaces com o cidadão e os estudos sobre deliberação, democracia e representatividade. Para tanto, se utiliza da teoria crítica proposta por Robert Craig analisando as distorções e desigualdades do processo comunicativo estabelecido entre o cidadão e o Estado. Abstract The objective of this article is to analyze State’s communication from the perspective of public communication and to explain some of the challenges imposed on government institutions to b...