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Aprender para transformar

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O título desse blog remete ao do livro que escrevi em 2017 - Comunicação Pública Governamental - Aprender para Transformar. A publicação foi resultado de um Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) da Pós-Graduação em Docência no Ensino Superior realizada no Centro Universitário Senac em São Paulo. Foi a minha primeira incursão "literária", gerada pela inquietação de não deixar um trabalho acadêmico "juntando pó" nas bibliotecas virtuais das universidades e faculdades. Acredito que conhecimento deva ser compartilhado à exaustão, pois só assim é capaz de produzir frutos e transformação.  Esse blog também nasceu dessa inquietação e da vontade de refletir, escrever e debater sobre Comunicação Pública. Hoje, tenho certeza, com um pouco mais de propriedade do que naquela primeira (e ousada) abordagem. Mas, vamos ao livro: o objetivo da publicação foi apresentar o conceito de Comunicação Pública - aquela feita por inúmeros comunicadores pelo Brasil por meio de órgãos públicos...

Naquela mesa

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Faz alguns meses que ela se foi. A rotina da vida nos obriga a continuar a caminhada. Os problemas, o trabalho, a pandemia, enfim, o cotidiano nos engole e nos "ajuda"  a não lembrar . A morte de minha mãe parece algo distante. Às vezes tenho a impressão que não aconteceu. E aí em uma tarde chuvosa eu me lembro dela. Dos telefonemas para saber se estavam todos bem, dos almoços, das broncas, do carinho. E as lágrimas são inevitáveis. Minha mãe foi uma lutadora. Mais que isso. Foi uma vencedora. Foi-se sem perder a dignidade. Queria viver. Mas Deus, tão sábio, entendeu que ela não merecia viver sem entender o mundo ao seu redor. Que falta a senhora faz mãe! Me faz parodiar aquela música: "Naquela mesa está faltando ela e a saudade dela está doendo em mim".

Antídoto contra a dor

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O título desta pequena reflexão é uma falácia. Sim, pois não há antídoto contra a dor. A dor é parte da vida, da existência humana. Há, no entanto, dores diferentes e formas diferentes de lidar com elas. Há dores físicas, há dores da alma. Em algum momento da vida, as duas se encontram. Às vezes, uma dor leva a outra.  E o que fazer? Como livrar-se da dor?  Talvez, o primeiro passo seja saber de onde ela vem. Se ela é minha mesmo ou se ela veio do outro para mim como um vírus importado. Será? Existe dor importada? Sim, eu acredito. E também acredito em exportadores de dor. Aqueles que sentem um certo prazer em infringir a dor no outro. Um segundo antídoto para a dor talvez seja não torná-la permanente. Não se apegar a dor é uma forma de enfraquecê-la. Mas e quem insiste em querer um antídoto? Uma solução definitiva para não sentir mais dor.  Em vida, eu digo no auge de minha ignorância filosófica, que não existe. O único fim definitivo para a dor é a morte. Mas a morte é ...

A sabedoria de Carolina

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Estou lendo o livro Quarto de Despejo da escritora Carolina Maria de Jesus. Eu ainda não terminei mas a cada página que leio eu fico impressionada com a sabedoria daquela mulher -negra, semianalfabeta e catadora - de papel - que em 1958 transformou a fome em um protesto literário e deu lição de política e de humanidade, sem ter qualquer diploma. Carolina é um tapa na minha cara...isso sim. Seus escritos não partem da observação distante de um estudioso, mas da vivência e da convivência diária com a dureza da vida. Uma verdadeira obra-prima. Obrigada, Carolina!

Felicidade

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Estou aprendendo todo dia um pouco do que é felicidade. Até agora tenho algumas pistas do que penso ou sinto sobre a felicidade. Sou adepta daquilo que falou Leandro Karnal: não sou feliz plenamente, mas sou amiga da felicidade. Quero um caminho de momentos felizes e não ter a felicidade como algo para amanhã. Um amanhã que não sei se existirá. Será que é possível?  Esse é o desafio. A felicidade presente no cotidiano. A felicidade que começa de dentro para fora, que transborda, mas sem sufocar ninguém. Pois felicidade tem que contagiar, não sufocar e humilhar.  Ser feliz, tornar-se uma pessoa feliz não é tarefa fácil, faz a gente sofrer. Porque para ser feliz, é preciso romper conosco mesmo, com aquilo que nos causa dor. É preciso romper com a ideia constante de que as  coisas são assim e pronto.  É preciso coragem para tomar decisões e enfrentar as suas consequências. Ser feliz é não trazer a tristeza para morar definitivamente no coração. Para ser feliz, é preciso...

Entre o corpo e a alma

O corpo está preso, é apegado aos bens, ao bem, ao mal, ao amor, a tristeza, a alegria, ao desejo. A alma é livre. A alma voa. A alma é leve. O corpo tem limite de alcance; A alma acumula milhas. O corpo cansa, se esgota,  envelhece, vira pó A alma cria asas. 

Os Duartes

Dois Duartes se destacaram nos últimos dias: o Lima e a Regina. O Lima, um senhor de 90 anos, ator e que, entre tantos personagens, se destacou como Sinhozinho Malta (tô certo ou tô errado) justamente ao lado de Regina, atriz, pouco mais de 70 anos, que na ocasião interpretava a Viúva Porcina, seu par romântico. A conhecida "Namoradinha do Brasil"  atualmente é secretaria de Cultura do presidente Jair Bolsonaro.  Lima gravou um emocionante depoimento em que prestava uma bela homenagem ao amigo e ator Flávio Migliaccio, que se suicidou no Rio de Janeiro aos 85 anos. Ao falar, Lima lembrou do dia em que foi levado ao Dops - o departamento de tortura da ditadura em SP - para prestar depoimento. Citou os delegados Tuma e Fleury. Fez menção aos anos de chumbo. Lamentou ter de falar de novo sobre esse tempo triste e registrou sua falta de coragem de tomar a mesma atitude do colega Flávio em um País que não respeita os velhos. Aliás, não respeita quase ninguém. Regina, por sua vez, ...