Os Duartes


Dois Duartes se destacaram nos últimos dias: o Lima e a Regina. O Lima, um senhor de 90 anos, ator e que, entre tantos personagens, se destacou como Sinhozinho Malta (tô certo ou tô errado) justamente ao lado de Regina, atriz, pouco mais de 70 anos, que na ocasião interpretava a Viúva Porcina, seu par romântico. A conhecida "Namoradinha do Brasil"  atualmente é secretaria de Cultura do presidente Jair Bolsonaro. 
Lima gravou um emocionante depoimento em que prestava uma bela homenagem ao amigo e ator Flávio Migliaccio, que se suicidou no Rio de Janeiro aos 85 anos. Ao falar, Lima lembrou do dia em que foi levado ao Dops - o departamento de tortura da ditadura em SP - para prestar depoimento. Citou os delegados Tuma e Fleury. Fez menção aos anos de chumbo. Lamentou ter de falar de novo sobre esse tempo triste e registrou sua falta de coragem de tomar a mesma atitude do colega Flávio em um País que não respeita os velhos. Aliás, não respeita quase ninguém.
Regina, por sua vez, ignorou as mortes provocadas pela ditadura e menosprezou os efeitos nefastos do fascismo e do nazismo. Em entrevista a CNN do Brasil, cantou uma música-símbolo do período militar, defendeu Bolsonaro, o neofascista tupiniquim, e deu chilique encerrando a entrevista, depois de confrontada pelo jornalista. 
Certamente, tanto Lima quanto Regina terão registrados esses momentos em suas biografias. Mas, de forma e com impactos bem distintos. Lima, o primeiro Duarte, será lembrado pela dor e sofrimento demonstrados não apenas diante da perda de um amigo mas, principalmente da perda da esperança (ela ainda existe?).
A Regina, a outra Duarte, demonstrou o quanto um ser humano consegue ser desprezível, pequeno, insensível, incapaz de se compadecer por tantas vidas perdidas - pelo autoritarismo, pela negligência, pela impiedade.
Ambos, com certeza, também entrarão para a história. Apenas Lima, no entanto, o fará pela sua grandeza. 

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