Desafios mundiais exigem ação coletiva, organizada e solidária
ANÁLISE CRÍTICA - Escrevo este texto inspirada por uma aula ministrada pelo professor Dr. Landislau Dowbor na disciplina Fundamentos da Economia Brasileira do curso de pós-graduação ICL/FESPSP. Nela, o mestre afirma que na atualidade enfrentamos dois desafios globais: as mudanças climáticas e a desigualdade social. E que a solução para ambos os problemas depende de decisão política e ação coletiva. Tendo a concordar com ele.
A exploração predatória dos recursos naturais tem penalizado a humanidade, principalmente as populações mais pobres e ameaçado a vida de todos no planeta. No Brasil, o caso mais emblemático talvez foi o das as enchentes no Rio Grande do Sul em 2024. As ondas de frio e calor extremos, aqui e na Europa, são outros sinais de que o planeta não suporta mais tanto descaso.
O Brasil está no centro desse debate. Seja porque abriga a maior floresta tropical do mundo ou porque o Congresso Nacional aprovou em uma recente sessão um Projeto de Lei que flexibiliza o licenciamento ambiental e pode, na avaliação de especialistas, facilitar e até ampliar a devastação. Isso tudo às vésperas da COP 30 que acontecerá em Belém do Pará, no coração da Amazônia.
O tema – Mudanças Climáticas – também está pautando o 3o. Congresso de Comunicação Pública marcado para outubro, em Sergipe, Alagoas. Qual o papel que a comunicação pública exerce neste contexto? Qual o papel das instituições e de todos que fazem parte dela?
O enfrentamento de um desafio desta dimensão se encontra com outro de igual ou maior proporção: a desigualdade social.
A ONU – Organização da Nações Unidas – defendeu a necessidade de taxação dos super-ricos como forma de reduzir a pobreza. Dados compartilhados no perfil da organização no Instagram (@onubrasil) dão conta de que esse grupo formado por 3 mil pessoas detém 3 bilhões de dólares em ativos. A criação de um imposto de apenas 2% sobre esse montante – proposta apresentada pela presidência do Brasil no G20 – significaria a geração de 200 a 250 bilhões de receita e a possibilidade de erradicar a pobreza até 2030, caso 0,14% do dinheiro fosse transferido para essa ação.
O fato é que soluções existem, ou seja, a maioria tem consciência do caminho necessário a ser percorrido para alcançar os objetivos e vencer os desafios. O que falta? Vontade política e organização coletiva. Em um mundo desigual e voltado para si, o acúmulo costuma parecer sinal de prosperidade e abundância. Na realidade, escancara a nossa falta de sensibilidade e de responsabilidade diante do mundo.
A ação coletiva é a alavanca para a mudança. Porém, a ação coletiva precisa ser consciente, organizada e comprometida com a ética e os direitos humanos. Sem esses valores, a ação não é coletiva, pois nem sempre os seres humanos se juntam para garantir um futuro melhor para todos. Sem solidariedade não há ação coletiva benéfica. Tem-se apenas um bando, mais nada.

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