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Mostrando postagens de 2021

Comunicação Governamental, Relações de Poder e Cidadania

*COMUNICAÇÃO GOVERNAMENTAL, RELAÇÕES DE PODER E CIDADANIA Silmara Helena Pereira de Paula   Resumo O objetivo deste artigo é analisar a comunicação de Estado sob a perspectiva da comunicação pública e explicitar alguns dos desafios impostos às instituições governamentais para a construção de uma relação mais dialógica e democrática com a sociedade. Considerando os estudos de pesquisadores brasileiros e estrangeiros, o texto retoma o debate em torno dos conceitos de comunicação governamental, pública e política e suas interfaces com o cidadão e os estudos sobre deliberação, democracia e representatividade. Para tanto, se utiliza da teoria crítica proposta por Robert Craig analisando as distorções e desigualdades do processo comunicativo estabelecido entre o cidadão e o Estado. Abstract The objective of this article is to analyze State’s communication from the perspective of public communication and to explain some of the challenges imposed on government institutions to b...

Aprender para transformar

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O título desse blog remete ao do livro que escrevi em 2017 - Comunicação Pública Governamental - Aprender para Transformar. A publicação foi resultado de um Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) da Pós-Graduação em Docência no Ensino Superior realizada no Centro Universitário Senac em São Paulo. Foi a minha primeira incursão "literária", gerada pela inquietação de não deixar um trabalho acadêmico "juntando pó" nas bibliotecas virtuais das universidades e faculdades. Acredito que conhecimento deva ser compartilhado à exaustão, pois só assim é capaz de produzir frutos e transformação.  Esse blog também nasceu dessa inquietação e da vontade de refletir, escrever e debater sobre Comunicação Pública. Hoje, tenho certeza, com um pouco mais de propriedade do que naquela primeira (e ousada) abordagem. Mas, vamos ao livro: o objetivo da publicação foi apresentar o conceito de Comunicação Pública - aquela feita por inúmeros comunicadores pelo Brasil por meio de órgãos públicos...

Naquela mesa

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Faz alguns meses que ela se foi. A rotina da vida nos obriga a continuar a caminhada. Os problemas, o trabalho, a pandemia, enfim, o cotidiano nos engole e nos "ajuda"  a não lembrar . A morte de minha mãe parece algo distante. Às vezes tenho a impressão que não aconteceu. E aí em uma tarde chuvosa eu me lembro dela. Dos telefonemas para saber se estavam todos bem, dos almoços, das broncas, do carinho. E as lágrimas são inevitáveis. Minha mãe foi uma lutadora. Mais que isso. Foi uma vencedora. Foi-se sem perder a dignidade. Queria viver. Mas Deus, tão sábio, entendeu que ela não merecia viver sem entender o mundo ao seu redor. Que falta a senhora faz mãe! Me faz parodiar aquela música: "Naquela mesa está faltando ela e a saudade dela está doendo em mim".

Antídoto contra a dor

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O título desta pequena reflexão é uma falácia. Sim, pois não há antídoto contra a dor. A dor é parte da vida, da existência humana. Há, no entanto, dores diferentes e formas diferentes de lidar com elas. Há dores físicas, há dores da alma. Em algum momento da vida, as duas se encontram. Às vezes, uma dor leva a outra.  E o que fazer? Como livrar-se da dor?  Talvez, o primeiro passo seja saber de onde ela vem. Se ela é minha mesmo ou se ela veio do outro para mim como um vírus importado. Será? Existe dor importada? Sim, eu acredito. E também acredito em exportadores de dor. Aqueles que sentem um certo prazer em infringir a dor no outro. Um segundo antídoto para a dor talvez seja não torná-la permanente. Não se apegar a dor é uma forma de enfraquecê-la. Mas e quem insiste em querer um antídoto? Uma solução definitiva para não sentir mais dor.  Em vida, eu digo no auge de minha ignorância filosófica, que não existe. O único fim definitivo para a dor é a morte. Mas a morte é ...

A sabedoria de Carolina

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Estou lendo o livro Quarto de Despejo da escritora Carolina Maria de Jesus. Eu ainda não terminei mas a cada página que leio eu fico impressionada com a sabedoria daquela mulher -negra, semianalfabeta e catadora - de papel - que em 1958 transformou a fome em um protesto literário e deu lição de política e de humanidade, sem ter qualquer diploma. Carolina é um tapa na minha cara...isso sim. Seus escritos não partem da observação distante de um estudioso, mas da vivência e da convivência diária com a dureza da vida. Uma verdadeira obra-prima. Obrigada, Carolina!